sexta-feira, maio 16, 2003

E de repente a porta aberta, ninguém por perto, nenhuma coleira, nenhum impecilho.... livre. Meio que por impulso fui, como que possuído pelo instinto que há tempos guardave dentro de mim. Começei a descer as escadas, sem sentir as pernas e a cada degrau abaixo sentia um peso enorme saindo de minhas costas, despejado por entre os degraus.

O último deles e a porta de saída. Também ninguém por perto. Nenhum chamado, nenhum ruído. Saí, levantei a cabeça para o céu e disse pra mim mesmo. ACABOU.

Acabou pra começar de novo e essa é grande questão da história. Acabou pra começar. Acabou de começar. Acabou de começar o quê?

Veremos.

Do Cão Vadio, mais Vadio do que nunca, solto, insano, pelas ruas da cidade...

quinta-feira, maio 15, 2003

Tudo bem que é propaganda, mas é bem legal...


E parece que a "questão canina" não é algo que aparece só aqui não...


Tirando a infinita quantidade de blogs com referência aos cães, vire e mexe colocam nossa espécie nos patamares culturais...


Essa coluna do Caco Galhardo, semanal, que nunca tinha entrado, pareceu-me muito boa (não deu acesso? eu posto ela aqui pra vcs...) falava de Freud que entendia a civilização como a coleira do homem.


Coleira que todos os dia nos prendem de desbravar o mundo por medo, por receio, por insegurança (ou por segurança demais...), por timidez, por valores lentamente impregnados em nossa mentes... tendo a civilização por trás disso tudo. E no que resumiríamos a civilização??? Pensando num exemplo que discutíamos numa classe dia desses (ué, mas cães têm aulas??? Hummm, cães chiques tem tá, dá licença...), chego a uma conclusão um pouco amedrontadora.


Um homem, com seu trabalho, seus valores, suas crenças, seu cotidiano, levava uma vida tranquila até que jogou na loteria com um amigo. No dia do bolão, o amigo, querendo pregar uma peça, disse para esse homem que eles haviam ganho a acumulada... Sem pensar duas vezes, o homem saltou de sua mesa, direto para a sala do chefe, pediu demissão e mandou-o à merda, pro diabo que o carregue, chamou sua mãe de uma mulher da vida fácil, usou dos mais diversos adjetivos de baixo calão contra o chefe larápio e saiu aliviado da sala. Bom, não é necessário dizer que ficou levemente "P" com o amigo, que acabou processando mais tarde.


A grande conclusão desse exemplo então é o de que a "civilização" nesse caso estava baseada na relação de trabalho, no dinheiro. Como seria se não dependessemos dele, o dinheiro? (bom, eu não depende de qualquer forma.... vivo de ração)... talvez seria maravilhoso? ou talvez seria a vez da barbárie?


Difícil dizer. Difícil pensar o mundo utópico. Sonhar com ele é mais fácil.


E mais cachorrada pra vocês.

Dessa vez é o Zeca Balero de CD novo, PetShopMundoCão

Entre as faixas, olha só que coincidência, "Eu despedi o meu patrão" e ainda "Um filho e um cachorro", "Mundo Cão" e finalmente "Meu nome é Nelson Rodrigues", em homenagem à cadela da visinha que viveu seu dia de volúpia.

Vejam só... tem mais gente por aí vendo o mundo como um cachorro...

Agora é confirir o som do cara.

quarta-feira, maio 14, 2003

Mas que palhaçada é essa???

"Quando comi o cão"

Só podia ser coisa de russo ...

terça-feira, maio 13, 2003

E no dia da libertação dos escravos, em que celebramos 115 anos, nada como lembrar a masmorra em que estou hoje, vivendo a mercê da vontagem de dondocas e crianças mimadas...

Meu grande e velho amigo pequinês está de volta, mais fashion ou "poser" como digia o amigo André.

Vi dois deles dia desses numa esquina, com sua respectiva babá de cachorro... porque, é claro, madame que é madame não sai com o cachorro pra passear, a não ser que fosse pra ir na academia... mas ainda (ACHO) que proibem-nos de entrar nos antros de culto ao corpo... porque senão, estariamos fritos, condenados a levantar pesinho, correr, pular, subir e descer escadas, dar umas porradas nuns bonecos de plástico, correr de novo e mais peso. Seriamos escravos completos.

segunda-feira, maio 12, 2003



Na falta do mínimo de conforto público, um amigo para consolar os sonhos vagos...
Essa cadela, uma boxer, que já não era mais virgem, mas que há tempos não via um cachorrão de verdade, vizinha aqui do prédio, um belo dia, ao passear com seu dono pela calçada ao entardecer, aproveitou a brecha de uma buzina que assustou seu dono e o fez largar a coleira por um segundo, e fugiu. Correu como nunca tinha corrido antes o mais longe possível a procura de um pouco de liberdade, de um pouco de paz, de uma noite de aventuras. E por uma noite passou fora de casa. Seus donos loucos acionando todas as entidades protetoras de animais e coisa e tal. Enquanto isso, dizem os relatos, a cachorra saciou-se dos prazeres mais vis na noite suburbana.

Jantou pedaços de frango frito na porta de um boteco, insinuando-se para todo e qualquer um daquele bar. Bebeu da cerveja que derramavam no chão, arrotou bravamente sem nenhum pudor para todo e qualquer um que quisesse ouvir. Sim, ela, um cadela de classe média. Saciada e embriagada, rumou para os becos escuros a procura de diversão. Saciou-se de vontade, perdeu-se entre patas e lambidas caninas, experimentou dos prazeres mais sádicos, mergulhou na volúpia de prazer pelo prazer, do carnal, sem nomes, nem direção, sentiu-se vadia por um dia.

Voltou pra casa no outro dia. Com fome, cansada e perdida. Foi tratada com honras de princesa pelos donos, mas não conseguia esconder seu olhar "rodriguiando" de uma noite bem vivida.



E quem esse "Griffon de Bruxelas" pensa que é pra que cobrem até R$ 3.000 por um filhote do infeliz?

Ridículo.

quinta-feira, maio 08, 2003

Eu queria mesmo era ser Harry Potter. Um dia, lá dentro do buraco do sofá, eu seria resgatado por um ser mágico qualquer, que me levaria pra vem longe dessa masmorra e lá chegando, entregaria-me uma herança enorme deixada por meus pais antes de terem virado linguiça.

E lá estaria, no paraíso canino. Paraíso que, penso eu, seja bem diferente do mundo dos humanos ou os "trouxas" como fala-se nos livros de Harry Potter. Um paraíso com milhares de "pauzinhos voadores" pra corrermos atrás, milhões de rodas de carro passando na nossa frente, instigando nossa ira e fazendo-nos desafiar a velocidade de nossas patas. Centenas de bolas de plásticos, cabeças de boneca e sapatos de borracha que morderíamos incessantemente, até que o lustre de nossos dentes estivesse completo. Cadelas no cio, todas. Ou pensando pelo lado femimino, um lugar em que houvesse o perfume perfeito, que disfarçasse o cheiro do "cio". Um lugar com bifes acebolados por todos os lados, árvores de bife acebolado.

Um lugar, meio mané de fato, mas onde pelo menos não houvesse um velho ranzina escutando jogo de futebol pelo rádio e gritando, esclerosado, nomes de jogadores de outros tempo... Dá-lhe Garrincha, não dá mole não Biro Biro, vai que é tua Zico!!!!!!!

Tô podendo com isso não...

quarta-feira, maio 07, 2003

É, essas mulheres...

Dessa vez foi a radical do PT Heloísa Helena... que tem seus méritos por ser radical...

Sente só o que ela falou sobre o arquivamento do processo de cassação de ACM :

"Não digo que foi uma palhaçada, porque tenho muito respeito pelos profissionais do circo, mas foi uma imoralidade."

terça-feira, maio 06, 2003

Essa mulher ó foda, tô com ela...

As lojas de moda apresentam agora os manequins sem cabeça. Interessante isso. Justamente para ninguém pensar: é a moda, é a bobajada que eles põem nas mulheres. Ainda bem que nós continuamos com as próprias cabeças. (Lygia Fagundes Telles, completando 80 anos)
Que mistério terão os filhotes? Esses seres fofos, vendidos a preços horrorosos, mas ainda assim fofos...

Já fui um deles, como todos da minha espécie. Infelizmente ou felizmente duramos pouco naquela forma "fofa" em que tudo é engraçadinho, dengoso, gostosinho, charmosinho, bonitinho e mais um monte de "inhos". Fase que dura o suficiente para que criem afeto por nós e não nos largue num canto qualquer a Deus dará. Pela antropologia, ou melhor, cinopologia, a natureza pensou assim para que nossas mães biológicas, as cadelas, cuidassem de nós, seres fofos. Nascidos bonitinhos para a sobrevivência da espécie. E ainda assim hoje funciona, mas muito mais como uma arma mercadológica do que algo relacionado com a teoria darwiniana.

Há algum ser humano que resista a essas coisas peludas que são nossos filhotes? Ainda estou pra ver. Pode até ser aqueles monstrinhos filhotes de pitbull, mas ainda assim, honramos nossa espécie no que ela tem de mais especial: a estimação.

E é por isso que procriar é tão bom!!!!

segunda-feira, maio 05, 2003

E mais um feriadão... o ócio no dia do trabalho... E como uma família felizarda de classe média essa que eu pertenço, ninguém trabalhou... o que não quer dizer muita coisa, já que pouco vejo de trabalho de fato aqui nessa casa, a não ser pelo anfitrião mesmo. Bom, se é que ele trabalha de fato. Em casa ele não fica. Ouvi dizer que tem outras rendas, vira e mexe liga uns manos aí atrás dele...

E o ócio faz parte da vida de qualquer cão. Uma das coisas que sabemos fazer melhor. Não tão bem como os gatos é claro e longe, muito longe de chegarmos perto de uma vaca. Já viu bicho mais ocioso do que uma vaca? Aquele olhar blasé, aquele mastigar ininterrupto, aquelas moscas ao seu redor promovendo o ar de decadência...

Mas o feriado não foi tempo de ver vacas não, nem de espantar moscas. Foi tempo de curtir os laços familiares. Sei que temos um problema genético que impossibilita maior aproximação e nem sei se querem mesmo que faça parte dessa família, mas o fato é que é bom ver famílias reunidas, por mais esquisitas que sejam, pois ainda são famílias e é onde está toda a base desse mundo, não é não?

Da minha, pouco soube... perdeu-se no meio da indústria dos "filhotes fofos vendidos a preços exorbitantes"

quarta-feira, abril 30, 2003

As mulheres são engraçadas. Usam daquilo que o mundo as proporciona da maneira de lhes convém. Quando querem igualdade, brigam por seus direitos... direitos de mais empregos, salários iguais, igualdade de leis trabalhistas, no trânsito e tudo mais. Tudo muito certo, acho que têm mais que brigar por isso mesmo.

Porém, quando precisam, usam também o argumento de serem o sexo frágil. Exemplo simples: trocar o pneu do carro. Ah, não posso, isso é coisa de homem... usam disso para outras coisas também pouco prazeirosas, e acabamos nós matando baratas, cortando a grama, limpando o telhado... ou ainda com coisas mais peculiares da vida... e essa foi a cena que presenciei hoje.

A minha dona encontra com seu cunhado, que há muito tempo não via. Ao vê-lo, surpresa com o tamanho do bicho, exclamou:

_ Nossa Alfredinho, como você engordou!!!

E Alfredinho, reparando também no esforço que minha dona teve pra enfiar aquela calça jeans, retrucou:

_ Ah, Estela, olha só quem fala!!!!

Observação suficiente para deixá-la de mau humor o resto do dia. Agora diga pra mim, pediu ou não pediu???